Teologia da História
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Igualitarismo - XIII
Como Deus governa o universo por meio de
intermediários
Nota: O Prof. Plinio ministrou esta série de aulas em 1957; hoje, em 2026, vemos como o igualitarismo em cada uma das áreas destacadas por ele aumentou e passou a dominar quase completamente. TIANo último artigo, consideramos a imagem das relações desiguais estabelecidas por Deus entre os anjos e questionamos como isso contribui para a glória de Deus, visto que foi Ele quem estabeleceu essas desigualdades. Vários argumentos também foram apresentados para justificar a desigualdade versus o igualitarismo, em consonância com a tese que temos desenvolvido.
O Céu, com sua hierarquia e grandes desigualdades
Ao apresentar o que há de bom nessa hierarquia, deduzimos, por exclusão, o que há de ruim no igualitarismo. Chegamos, então, ao cerne do nosso problema.
A hierarquia de Deus na Criação
Devemos nos perguntar por que Deus colocou os Anjos em uma ordem tão desigual e o que há de bom nessa desigualdade na Criação.
Assim, podemos perguntar: Por que Deus não faz tudo diretamente? Por que Ele usa seres inferiores a si mesmo para governar o universo? ... As razões seguem.
1. Não é apropriado que o superior se encarregue de tarefas insignificantes
Não convém a Deus executar o plano de sua Providência até os mínimos detalhes, pois a capacidade cognitiva difere da capacidade operacional. A característica da capacidade cognitiva é a atenção ao geral; a característica da capacidade operacional é a atenção aos detalhes.
Um triunfo romano concedido a um general vitorioso, colocado acima de todo o exército
Os romanos expressaram isso em duas frases: "O pretor não se preocupa com trivialidades" ou "A águia não caça moscas." Não podemos imaginar Deus, em sua infinita majestade, intervindo diretamente para garantir que uma espécie animal específica – por exemplo, formigas – não seja extinta. Deus usa seres intermediários para fazer essas pequenas coisas. O que, então, cabe a Deus fazer? Aquelas coisas que só Ele pode fazer: ressuscitar, preservar no ser e dar vida sobrenatural. Essas coisas, Deus faz diretamente.
Aqui reside a principal razão para esta organização dos Anjos. Deus estabelece a governança intermediária do universo por meio de anjos e homens. Veremos que animais e seres mais simples também são instrumentos de Deus.
2. A ação 'passo a passo' expressa melhor a grandeza de Deus
A grandeza de Deus é melhor expressa em ações 'passo a passo' e por meio de estágios intermediários.
Quanto mais potente o fogo, maior o seu alcance
Mas, diz ele, toda ação poderosa atinge seus extremos atuando sobre intermediários. Uma chama, por exemplo, não aquece as extremidades de uma sala, mas sim as camadas de ar imediatamente ao seu redor; essas camadas aquecem outras, e assim por diante, até que o calor alcance a extremidade oposta da sala. Portanto, a ação "passo a passo" é o modo de ação de causas muito poderosas.
Assim, afirma ele, a ação de Deus, que é supremamente poderosa, também deve proceder "passo a passo," agindo sobre algumas criaturas por meio de outras.
Depois de demonstrar por que Deus usa alguns seres para agir sobre outros, São Tomás questiona por que Deus tem tantos agentes para executar sua vontade.
Ele responde: Deus tem muitos agentes intermediários porque é próprio de um grande Rei ter muitos ministros. O grande Rei deve ser servido por muitos servos. Dado que Deus é supremamente poderoso, Ele deve ter muitos servos. Portanto, é próprio da grandeza de Deus que o número de criaturas seja vasto e que o número daqueles que O servem para governar o universo também seja grande.
3. Os servos de Deus também governam seus súditos
Esses muitos servos exercem seu próprio governo sobre os súditos.
Vemos que Deus ordenou o universo de tal forma que não se pode simplesmente dizer que Ele tem um grande número de servos, mas sim que esses servos, por sua vez, servem uns aos outros. Eles não são apenas servos diretos de Deus, mas também servos uns dos outros. Por exemplo, os Querubins servem os Serafins, os Tronos servem os Querubins, assim por diante.
O sargento é o comandante do seu pelotão, mas está subordinado a um oficial superior em toda a cadeia de comando
Por outro lado, em vez de ter pessoas que me obedecem diretamente, tenho pessoas que me obedecem e que, por sua vez, comandam outras, eu, em relação àquele que me obedece, ajo como causa, e aquele que me obedece age como efeito.
Mas aquele que me obedece comandando outro age em relação ao outro como causa, e aquele sobre quem ele comanda desempenha o papel de efeito. O general é a causa e o coronel é o efeito. A ação do coronel é o efeito de uma causa, que é o general; mas a ação do tenente-coronel é a ação de uma causa, que é o coronel, e assim por diante. À medida que descemos na hierarquia, encontramos uma relação de causas e efeitos recíprocos.
O desfile anual Trooping the Colors da Grã-Bretanha é uma magnífica demonstração da ordem militar
Outro exemplo: em uma universidade, há uma beleza que reside na autonomia de cada professor. Imagine uma universidade em que o Reitor ditasse o ensino de todos os professores, e cada um simplesmente repetisse uma lição específica transmitida por ele. Isso destruiria a universidade, porque é a hierarquia de causas e efeitos autônomos que constitui sua beleza. Bem, essa é a essência do feudalismo.
Aqui reside a explicação de por que a Hierarquia Angélica foi estabelecida para a grandeza de Deus.
O primeiro ponto explica por que Deus não faz tudo diretamente.
O segundo ponto explica por que Deus tem muitos ministros para manter a ordem.
O terceiro ponto mostra como e por que esses ministros são organizados em uma hierarquia determinada.
É a inteligência na ordem natural e no sentido católico na ordem sobrenatural que capacita aqueles que têm o poder de comandar.

Continua
Postado em 15 de junho de 2026
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